O governo dos Estados Unidos anunciou uma parceria entre a empresa americana Crusoe e a desenvolvedora paraguaia Araico para implantar no Paraguai uma estrutura de computação de alto desempenho voltada à inteligência artificial (IA), abastecida com eletricidade da Usina Hidrelétrica de Itaipu. O comunicado foi divulgado em 21 de outubro, durante a agenda diplomática americana em Assunção, e não fez referência à participação brasileira, apesar de a usina ser compartilhada entre Brasil e Paraguai.
A iniciativa prevê que a primeira etapa do empreendimento entre em operação em meados de 2027. A infraestrutura deverá oferecer capacidade de processamento e serviços de computação em nuvem a clientes dos Estados Unidos e da América Latina. Segundo o Departamento de Estado americano, o projeto poderá se tornar um dos maiores investimentos privados da história paraguaia. O valor total do aporte, entretanto, não foi divulgado.
Parceria tecnológica e fornecimento de energia
Pelo acordo anunciado, a Araico ficará encarregada do desenvolvimento local e da infraestrutura do empreendimento, enquanto a Crusoe será responsável pela instalação e operação dos equipamentos de computação. A parceria representa a entrada da empresa americana com uma implantação dedicada na América Latina.
O fornecimento de eletricidade deverá ocorrer por meio da Administração Nacional de Eletricidade do Paraguai (ANDE), utilizando a parcela de energia de Itaipu destinada ao país. Ainda não foram divulgados todos os detalhes contratuais, incluindo o valor do investimento associado especificamente à parceria, a demanda energética contratada e as condições comerciais definitivas.
Brasil não aparece no comunicado americano
A ausência de referência ao Brasil chamou atenção porque Itaipu é uma usina binacional, administrada conjuntamente pelos dois países, que têm direito a partes iguais da energia produzida. A direção brasileira de Itaipu informou, segundo reportagens, que não participou da reunião que resultou no anúncio do acordo.
A parceria ocorre em um contexto de discussões sobre o uso da energia excedente paraguaia e sobre as condições financeiras e tarifárias da usina. O avanço de projetos de grande consumo elétrico, como centros de dados para inteligência artificial, amplia a relevância dessas negociações para o planejamento energético regional.
Até o momento, o anúncio não demonstra alteração dos direitos brasileiros sobre a energia de Itaipu nem apresenta detalhes suficientes para concluir que o fornecimento previsto comprometerá a parcela destinada ao Brasil. A execução do projeto dependerá das condições de fornecimento e das regras aplicáveis à comercialização da eletricidade.
Aproximação entre Washington e Assunção
O anúncio foi feito durante a visita do vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, ao Paraguai, entre 19 e 21 de outubro. Na ocasião, o representante americano se reuniu com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e com o chanceler Rubén Ramírez Lezcano.
A agenda incluiu temas de comércio, tecnologia, minerais críticos, segurança e logística, além de outros anúncios de investimento. A parceria para infraestrutura de inteligência artificial integra, assim, um movimento mais amplo de aproximação econômica entre os governos americano e paraguaio.




























































