O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira (17) o presidente José Jeri, após apenas quatro meses no cargo. A decisão foi tomada por maioria simples, em meio a um escândalo envolvendo encontros não divulgados com um empresário chinês.
A moção de censura foi aprovada por 75 votos a favor, 24 contrários e três abstenções. Com a medida, o país andino passará a ter seu oitavo presidente em oito anos, aprofundando a instabilidade política que marca o cenário peruano desde 2018.
O anúncio foi feito por Fernando Rospigliosi, que declarou vaga a presidência do Congresso — cargo que, pelo sistema constitucional peruano, implica também a vacância da Presidência da República.
Diferentemente do impeachment, que exige 87 votos em um Parlamento de 130 membros, a censura requer maioria simples — 66 votos ou menos, dependendo do número de parlamentares presentes. Aliados de Jeri defenderam que ele deveria enfrentar um processo formal de impeachment, mas afirmaram que respeitariam o resultado da votação.
Agora, líderes das bancadas parlamentares devem se reunir para definir a lista de candidatos à presidência do Congresso. O eleito assumirá automaticamente a chefia do Executivo interino.
Crise política recorrente
Jeri, de 39 anos, assumiu o cargo em outubro de 2025, após a destituição da então presidente Dina Boluarte. Boluarte, por sua vez, havia chegado ao poder em 2022, depois da queda de Pedro Castillo, que deixou o cargo após tentativa frustrada de dissolver o Congresso.
A acusação que precipitou a saída de Jeri envolve reuniões não oficiais com empresários chineses. Um dos encontros levou à abertura de investigação por suspeita de tráfico de influência.
A sucessão reforça o quadro de volatilidade institucional no Peru, onde disputas entre Executivo e Legislativo têm provocado mudanças frequentes na chefia do Estado e ampliado a incerteza política no país.







































































