A Suíça renovou sua contribuição ao Fundo Amazônia, a maior iniciativa mundial de combate ao desmatamento e à degradação florestal, com um aporte de 5 milhões de francos suíços, o equivalente a cerca de R$ 33 milhões. A cerimônia de assinatura do protocolo foi realizada no domingo (9), no auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém.

O evento marcou o lançamento das atividades do Road to Belem, iniciativa suíça para a COP30, a conferência mundial sobre mudanças climáticas que ocorre na capital paraense. Assinaram o convênio de colaboração a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, Aloizio Mercadante; o embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock; o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior; e a presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana. A vice-governadora do Pará, Hana Ghassan, representou o governador Helder Barbalho.

O embaixador Hanspeter Mock disse que a contribuição suíça para o Fundo Amazônia garante o apoio ao Governo do Brasil nas ações em defesa da floresta amazônica e fortalece as agências de controle e monitoramento que atuam na prevenção do desmatamento ilegal, na fiscalização ambiental e no combate a incêndios florestais. “Temos um histórico de cooperação técnica e científica com o Brasil de quase 200 anos. Essa parceria não vai terminar com a COP30. Estamos apenas começando”, afirmou o embaixador.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que o Fundo Amazônia “mudou de patamar” nos últimos anos, com a participação cada vez maior de países interessados no combate ao desmatamento e na construção de um mundo sustentável. “O Brasil alcançou uma redução de 50% no desmatamento. O volume médio de desembolsos ao Fundo Amazônia, que era de R$ 300 milhões por ano, passou para R$ 1,5 bilhão”, assinalou. “Hoje, o Fundo tem alguma semente plantada em 75% dos municípios da Amazônia, por meio de 650 entidades”, afirmou Mercadante.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância
do aporte de recursos ao Fundo Amazônia e também os investimentos internacionais
em conhecimento e inovação. Segundo a ministra, além de enfrentar as organizações
criminosas que devastam o meio ambiente, o Fundo é um catalisador de benefícios para
a população. “É impossível competir de forma justa entre quem protege a floresta e
quem se organiza em redes criminosas para saqueá-la. O Brasil é o único do mundo
com compromisso nacional e internacional de zerar o desmatamento até 2030”, afirmou
Marina. Segundo a ministra, o combate ao desmatamento e às queimadas evitou, nos
últimos três anos, o lançamento de mais de 700 milhões de toneladas de gases do efeito
estufa na atmosfera.
Cooperação internacional
Criado em 2008 e administrado pelo BNDES, o Fundo Amazônia é uma referência
mundial em cooperação internacional para o clima e essencial para o cumprimento das
metas climáticas brasileiras, em alinhamento com o Acordo de Paris e o Plano de
Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). Desde a
retomada das doações, em 2023, o Fundo ampliou o número de doadores de três para
nove e beneficiou cerca de 260 mil pessoas, por meio de mais de 600 organizações
comunitárias e 144 projetos.
A COP30 consolida a cooperação científica entre a Suíça e o Museu Emílio Goeldi, instituição com quase 160 anos de atuação na Amazônia. O Museu recebe os eventos suíços e a Planetary Embassy, um espaço de diplomacia internacional para debates sobre o clima e o meio ambiente.
O diretor do Museu, Nilson Gabas Júnior, lembrou que a parceria permitirá, também, a restauração da Casa Goeldi, onde viveu o naturalista suíço Emilio Goeldi (1859–1917), dentro do parque zoobotânico de Belém. “O parque zoobotânico do Museu Goeldi é território indígena. Em um momento de grave ameaça à vida humana, o fortalecimento do Fundo Amazônia e a parceria da Suíça com o Museu tem implicação direta na melhoria da qualidade de vida, no desenvolvimento e na proteção dos povos da floresta”, afirmou Gabas.
Também estiveram presentes à solenidade o presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho; a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello; o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; o secretário- geral da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Martin vo Hildebrand; o gerente-geral do Departamento do Cone Sul do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Morgan Doyle, além de embaixadores e autoridades.
Convidado especial do evento, o cientista e navegador Bertrand Piccard, presidente da Fundação Solar Impulse, apresentou seu mais novo projeto: o “Climate Impulse”, um avião movido a hidrogênio verde capaz de viajar ao redor do mundo sem escala. Bertrand Piccard já entrou para a história ao completar duas voltas ao mundo: a primeira num balão, e mais recentemente, sem qualquer combustível, a bordo de um avião solar.
Casa suíça
O Museu Goeldi hospedará as atividades do governo suíço durante a COP30. A Suíça promoverá uma série de eventos e debates nos espaços do parque zoobotânico do Museu, entre os quais está o Planetary Embassy, iniciativa da Swissnex no Brasil, um pavilhão que reunirá, no dia 13, delegados internacionais, cientistas, empreendedores, artistas e representantes de comunidades amazônidas e povos indígenas para debater a crise climática e soluções sustentáveis para o planeta. A Suíça e o Brasil são parceiros históricos e estratégicos, com intensas relações bilaterais nos âmbitos político, econômico, científico e da sustentabilidade.
O programa Road to Belem não se encerra na COP30. A partir do dia 20, no Museu do Estado do Pará (MEP), na praça Dom Pedro II, em Belém, a exposição “O Legado Suíço-Brasileiro na Amazônia: Arte, Ciência e Sustentabilidade”, desenvolvida em parceria entre o Museu Paraense Emilio Goeldi e a Associação Artística Cultural Oswaldo Goeldi, apresentará o compromisso da Suíça com a Amazônia nos campos da arte, ciência e sustentabilidade. A mostra, que reúne um acervo de ilustrações e fotos do Museu de História Natural de Berna, na Suíça, destaca a biodiversidade amazônica.








































































