Caças F-35A Lightning II da Força Aérea Real da Noruega foram acionados em missão de Alerta de Reação Rápida na terça-feira, 6 de janeiro de 2026, para interceptar e identificar uma aeronave militar russa que operava sobre o Mar da Noruega, nas proximidades da área de interesse do espaço aéreo norueguês.
Os jatos decolaram da Base Aérea de Evenes, no extremo norte do país, como parte do sistema permanente de policiamento aéreo mantido pela Noruega em coordenação com a OTAN, que mantém aeronaves de combate em prontidão contínua para responder rapidamente a tráfegos militares não identificados.
A aeronave interceptada foi um Tupolev Tu-142, designação OTAN “Bear F”, pertencente às Forças Aeroespaciais da Rússia. O Tu-142 é um grande avião turboélice de patrulha marítima e guerra antissubmarino de longo alcance, derivado do famoso bombardeiro estratégico Tu-95. Projetado para missões de longa duração, o modelo é empregado pela Rússia para vigilância oceânica, monitoramento de forças navais da OTAN, rastreamento de submarinos e coleta de inteligência em áreas estratégicas do Atlântico Norte e do Ártico, regiões consideradas críticas tanto do ponto de vista militar quanto geopolítico.
O contato envolveu especificamente um Tu-142MK com número de bordo 97, aeronave que ostenta um nome próprio em homenagem à cidade russa de Vologda. A interceptação ocorreu em espaço aéreo internacional e seguiu rigorosamente os procedimentos padrão adotados pela OTAN para esse tipo de operação.
Os F-35 noruegueses realizaram a identificação visual mantendo distância segura, documentando o modelo, as marcas externas e a configuração geral da aeronave russa, sem qualquer violação do espaço aéreo soberano da Noruega.
Autoridades militares destacaram que o encontro transcorreu de forma profissional e previsível, algo que se tornou cada vez mais frequente no flanco norte da Europa. A Noruega, por sua posição geográfica estratégica entre o Atlântico Norte e o Ártico, desempenha um papel central na vigilância aérea da OTAN, especialmente em um cenário de aumento das atividades aéreas russas na região.
Aeronaves como o Tu-142 são vistas por analistas de defesa como instrumentos-chave da estratégia russa de demonstração de presença e monitoramento das linhas marítimas e das forças navais ocidentais.
A Base Aérea de Evenes ganhou importância ainda maior nos últimos anos, após os F-35A assumirem oficialmente, em 2022, a missão de QRA anteriormente desempenhada pelos F-16 noruegueses. Desde então, os caças de quinta geração passaram a ser o principal vetor de resposta rápida do país, combinando elevada consciência situacional, sensores avançados e capacidade de operar de forma integrada com a rede de comando e controle da OTAN no norte da Europa.
Segundo dados divulgados pela Força Aérea da Noruega, ao longo de 2025 foram realizadas 41 missões reais de Alerta de Reação Rápida, durante as quais 53 aeronaves militares estrangeiras foram interceptadas e identificadas. A maioria desses contatos envolveu aeronaves russas operando próximas ao espaço aéreo monitorado pela OTAN, muitas vezes sem plano de voo ativo ou com transponders desligados.
A interceptação do Tu-142 no dia 6 de janeiro marcou o primeiro acionamento do QRA norueguês em 2026, reforçando a continuidade desse padrão operacional.
O Mar da Noruega é historicamente uma área sensível do ponto de vista estratégico, funcionando como uma das principais portas de acesso ao Atlântico Norte e como corredor natural entre o Ártico e as rotas marítimas utilizadas por forças navais da OTAN. Nesse contexto, missões de policiamento aéreo como a realizada pelos F-35 noruegueses cumprem um papel essencial na dissuasão, na prevenção de incidentes e na manutenção da consciência situacional em um ambiente cada vez mais marcado por tensões militares e rivalidade estratégica entre o Ocidente e a Rússia.
Fonte: Cavok







































































