A Força Aérea Brasileira (FAB) está organizando uma operação logística internacional para buscar em Israel uma nova aeronave não tripulada destinada ao reforço de sua capacidade de vigilância e reconhecimento. A missão deverá ser realizada por um cargueiro KC-390 Millennium, com partida prevista para 13 de novembro de 2026, na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.
O equipamento que será transportado é um RQ-900 Hermes 900, fabricado pela empresa israelense Elbit Systems. A aeronave foi adquirida pela Aeronáutica em 2024, em um contrato de aproximadamente R$ 50 milhões, com a finalidade de substituir uma unidade perdida anteriormente em um acidente.
O planejamento prevê que o KC-390 realize escalas ao longo do trajeto até o Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Israel. Uma das principais precauções estabelecidas para a operação é evitar que os militares brasileiros permaneçam durante a noite em território israelense, reduzindo o tempo de exposição da tripulação diante das condições de segurança no Oriente Médio.
A preocupação está relacionada ao cenário regional, que inclui alertas sobre possíveis ameaças ao tráfego aéreo e interferências nos sistemas de navegação por satélite. A Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) mantém uma advertência referente ao espaço aéreo israelense, enquanto a autoridade aeronáutica local também publicou um comunicado sobre possíveis interrupções nos sistemas GNSS, utilizados para posicionamento e navegação, incluindo o GPS.
Esses avisos exigem atenção especial durante o planejamento das operações aéreas. Entretanto, não representam uma proibição geral de voos para Israel nem significam que a aeronave brasileira necessariamente enfrentará problemas de navegação.
A missão também possui importância estratégica para a estrutura operacional da FAB. O Hermes 900 é um sistema de aeronave remotamente pilotada de média altitude e longa permanência, capaz de permanecer mais de 30 horas no ar. Sua utilização permite executar operações de inteligência, vigilância e reconhecimento, acompanhando extensas áreas por períodos prolongados.
A Força Aérea Brasileira chegou a contar com três unidades desse modelo, mas dois acidentes reduziram significativamente sua disponibilidade operacional.
A primeira perda aconteceu em maio de 2024, quando um Hermes 900 caiu durante as operações de apoio às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Para recompor parte da frota, a Aeronáutica contratou uma unidade substituta em setembro daquele ano, pelo valor aproximado de R$ 50 milhões.
Antes que o equipamento fosse incorporado, entretanto, outro acidente ocorreu. Em 25 de março de 2026, uma segunda aeronave do mesmo modelo caiu durante o exercício militar Cooperación XI, realizado em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
Com os dois episódios, o Brasil passou a contar com apenas um Hermes 900 em operação, situação que aumentou a necessidade de recuperar a capacidade de vigilância aérea de longo alcance.
O equipamento que será transportado de Israel deverá integrar o Esquadrão Hórus, sediado na Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, unidade responsável pelas operações com aeronaves remotamente pilotadas.
A chegada do novo drone permitirá recuperar parte da capacidade perdida nos últimos anos, embora a frota ainda permaneça abaixo do quantitativo existente antes dos acidentes.
A operação também evidencia a importância da cooperação tecnológica internacional para a manutenção dos recursos estratégicos de defesa do Brasil. Nesse contexto, o KC-390 Millennium demonstra sua versatilidade ao ser empregado não apenas em missões tradicionais de transporte militar, mas também em operações logísticas internacionais voltadas à aquisição e incorporação de equipamentos de alta tecnologia.
A expectativa é que a missão de novembro contribua para restabelecer parte da estrutura de vigilância da FAB e ampliar novamente sua capacidade de monitoramento e reconhecimento em diferentes cenários operacionais.




























































