O Brasil e o México buscam aprofundar suas relações no setor agropecuário, com foco na expansão do comércio, no intercâmbio científico e no fortalecimento da defesa sanitária. O tema foi discutido em reunião entre o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e o embaixador mexicano no Brasil, Carlos García de Alba, realizada na sede do ministério, em Brasília.
Durante o encontro, o representante mexicano demonstrou interesse em ampliar os investimentos bilaterais e intensificar a colaboração tecnológica entre os dois países. Também foi proposta a realização de uma reunião entre os ministros da Agricultura brasileiro e mexicano para aprofundar as discussões e identificar novas áreas de atuação conjunta.
Um dos pontos centrais da agenda foi a aproximação entre as instituições responsáveis pela defesa agropecuária. A proposta prevê ampliar a cooperação entre a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (Senasica), órgão mexicano responsável por questões sanitárias e de qualidade dos alimentos.
A iniciativa dá continuidade ao acordo de cooperação firmado em outubro de 2025 entre o Mapa e a Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México. O documento contempla ações conjuntas em pesquisa científica, desenvolvimento técnico, produção agropecuária, saúde animal e adoção de boas práticas. A próxima etapa consiste na elaboração de planos de trabalho para transformar as diretrizes do acordo em ações específicas.
Comércio agropecuário movimenta bilhões
O mercado mexicano tem importância significativa para as exportações brasileiras do agronegócio. Em 2025, as vendas brasileiras de produtos agropecuários ao México ultrapassaram US$ 2,5 bilhões, impulsionadas principalmente pelas proteínas animais, com destaque para as carnes bovina e de frango.
No sentido inverso, as importações brasileiras de produtos agropecuários mexicanos somaram aproximadamente US$ 54 milhões no mesmo período. Já entre janeiro e abril de 2026, as exportações brasileiras para o mercado mexicano atingiram US$ 865 milhões, representando crescimento de 13% em relação aos quatro primeiros meses de 2025. A recuperação das vendas de soja em grãos e carnes contribuiu para esse resultado.
Tequila e cachaça entram na pauta comercial
Além dos produtos agropecuários, os representantes discutiram alternativas para ampliar o reconhecimento recíproco de bebidas tradicionais dos dois países, especialmente a tequila mexicana e a cachaça brasileira.
As conversas também envolveram as tarifas aplicadas à tequila no mercado brasileiro e aos vinhos espumantes do Brasil no México. O objetivo é avaliar condições comerciais que favoreçam o acesso desses produtos aos respectivos mercados e contribuam para diversificar o intercâmbio bilateral.
Ao avaliar a reunião, André de Paula destacou a possibilidade de inaugurar uma nova fase de aproximação entre os países, com a identificação de desafios comuns e oportunidades de cooperação.
O encontro também abriu espaço para uma proposta de reunião entre o ministro brasileiro e embaixadores de países da América Latina e do Caribe. A iniciativa poderá ocorrer durante a presidência mexicana do grupo, prevista para terminar em 31 de dezembro de 2026.
O avanço das negociações poderá fortalecer a presença brasileira no mercado mexicano e ampliar a cooperação técnica entre as autoridades dos dois países. A concretização dessas oportunidades dependerá da implementação dos planos de trabalho e da evolução das tratativas comerciais e sanitárias.




























































