A Anistia Internacional anunciou que levará denúncias contra o presidente da Argentina, Javier Milei, à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em resposta a declarações ofensivas e ameaçadoras dirigidas a jornalistas que cobriram o caso da criptomoeda $LIBRA. Segundo a entidade, as manifestações do presidente contribuem para intensificar a hostilidade contra a imprensa no país.
A organização informou que pretende apresentar as denúncias ao longo desta semana. A iniciativa ocorre após um discurso de Milei na Fundação Faro, em 23 de outubro, quando o presidente citou nominalmente cinco profissionais da imprensa: Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodrigues, Natalia Volosin e Luis Novaresio.
Na ocasião, Milei os chamou de “corruptos”, “mercenários da mentira” e responsáveis por produzir notícias falsas. Também afirmou que pessoas a quem se referia deveriam ser “queimadas na fogueira”. Para a Anistia Internacional, o uso de linguagem violenta contra jornalistas identificados publicamente pode estimular um ambiente de intimidação e aumentar o risco de novas agressões.
Caso $LIBRA está no centro da disputa
Os jornalistas citados por Milei haviam acompanhado e divulgado informações sobre o caso $LIBRA, envolvendo uma criptomoeda que o presidente promoveu nas redes sociais pouco antes de seu valor despencar, provocando prejuízos a investidores.
As declarações ocorreram depois que a Justiça argentina determinou o arquivamento da investigação contra Milei relacionada ao caso. O episódio voltou a colocar sob os holofotes a reação do presidente a reportagens críticas e à atuação de profissionais que investigam assuntos de interesse público.
Entidade alerta para riscos à liberdade de imprensa
Mariela Belski, diretora-executiva da Anistia Internacional na Argentina, afirmou que um presidente ultrapassa um limite grave quando aponta jornalistas pelo nome e utiliza referências à violência para atacar quem questiona sua gestão.
A organização sustenta que autoridades públicas têm responsabilidade especial na proteção da liberdade de expressão e na garantia de condições seguras para o exercício do jornalismo. Segundo a entidade, ataques e mensagens estigmatizantes podem prejudicar o debate democrático e comprometer o direito da população de receber informações.
A Anistia também relacionou o episódio a um quadro mais amplo de deterioração das condições de trabalho da imprensa argentina.
Dados apontam ataques recorrentes à imprensa
Levantamento do Fórum de Jornalismo Argentino (FOPEA) contabilizou 278 episódios de ataques contra a imprensa em 2025. De acordo com os dados citados pela organização, Milei esteve diretamente envolvido em 119 desses casos.
A Anistia Internacional manifestou solidariedade aos jornalistas mencionados pelo presidente e pediu que Milei e outros integrantes do governo interrompam declarações intimidatórias e estigmatizantes. A entidade pretende levar o tema às instâncias internacionais como parte de seus esforços para denunciar o enfraquecimento da liberdade de expressão na Argentina.




























































