A líder da direita nacionalista francesa, Marine Le Pen, anunciou oficialmente sua candidatura à Presidência da França neste domingo (25), durante um evento político realizado em Orléans. Em seu discurso, ela prometeu recuperar a segurança pública, fortalecer a autoridade do Estado e restaurar a confiança da população nas instituições, aproveitando o cenário de instabilidade social que atravessa o país.
A apresentação da candidatura ocorre em meio a uma onda de manifestações contra o aumento do custo de vida e a desigualdade social. Os protestos registrados na França nas últimas semanas também foram acompanhados por episódios de vandalismo, saques e confrontos, ampliando a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron.
Diante de milhares de apoiadores, Le Pen afirmou que o país precisa iniciar uma nova fase política, com medidas mais rigorosas contra a criminalidade e mudanças na condução da política migratória. A candidata defendeu uma postura de tolerância zero contra crimes, prometeu reforçar os controles nas fronteiras e propôs a expulsão de estrangeiros condenados por delitos.
A segurança pública ocupou lugar central no discurso. Segundo Le Pen, cabe ao Estado garantir a proteção dos cidadãos e assegurar o cumprimento das leis. A candidata também criticou a resposta do governo aos episódios de violência registrados durante as manifestações, apresentando sua proposta política como uma alternativa ao atual cenário francês.
No campo econômico, a líder do partido Reagrupamento Nacional defendeu a redução de impostos para empresas, a diminuição da burocracia e o estímulo à indústria nacional. Ela também prometeu conter despesas públicas, apoiar a inovação tecnológica e rejeitar novos aumentos na idade mínima de aposentadoria.
Na política europeia, Le Pen sinalizou que pretende reduzir a influência das instituições da União Europeia sobre as decisões francesas, especialmente em temas relacionados à imigração, às fronteiras e à legislação nacional. Apesar das críticas a Bruxelas, ela não defendeu a saída da França do bloco, concentrando seu discurso na recuperação da autonomia política do país.
O lançamento da candidatura ocorre em um momento favorável à direita nacionalista nas pesquisas de intenção de voto. Levantamento divulgado no domingo indicou Le Pen com índices entre 32% e 33,5% no primeiro turno, à frente do líder da esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que aparecia com aproximadamente 17%. Os números indicam uma vantagem inicial, mas não garantem o resultado da disputa presidencial.
A candidatura também enfrenta um obstáculo jurídico. Le Pen foi condenada em um processo relacionado ao desvio de recursos do Parlamento Europeu e recorre da decisão. A situação judicial continua sendo um dos fatores relevantes para o futuro de sua participação na eleição.
O presidente do Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, também participou do evento e recebeu o apoio de Le Pen como nome indicado para ocupar o cargo de primeiro-ministro em um eventual governo. A apresentação conjunta buscou demonstrar unidade partidária e consolidar a estratégia eleitoral da legenda.
Com as eleições presidenciais previstas para 2027, a campanha de Le Pen começa em um ambiente de forte insatisfação popular e polarização política. O avanço de sua candidatura poderá influenciar o debate sobre imigração, segurança, economia e o papel da França na União Europeia nos próximos meses.




























































