A Rússia voltou a defender o caráter cooperativo dos BRICS e rejeitou a interpretação de que o grupo tenha sido criado para se opor a outras potências. A posição foi apresentada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, durante uma conversa com jornalistas antes da próxima cúpula do bloco.
Segundo o representante russo, a atuação dos BRICS está baseada na defesa dos interesses de seus integrantes e em princípios como respeito mútuo, confiança, benefícios compartilhados e ampliação das relações comerciais.
Kremlin vê Índia como parceira estratégica
Peskov destacou a importância da relação entre Moscou e Nova Délhi e classificou a Índia como uma das principais parceiras da Rússia dentro do grupo de países que o Kremlin identifica como parte da chamada maioria global.
Para o governo russo, a cooperação com a Índia possui importância tanto no campo político quanto nas áreas econômica, comercial e tecnológica.
A inteligência artificial deverá estar entre os assuntos discutidos durante a cúpula dos BRICS, ampliando uma agenda que envolve cada vez mais tecnologia e inovação.
Rússia quer ampliar comércio com a Índia
O equilíbrio das relações comerciais entre os dois países também apareceu entre os assuntos abordados pelo porta-voz russo.
A Índia demonstrou preocupação com o desequilíbrio existente nas trocas comerciais com a Rússia. Como resposta, empresas russas passaram a avaliar maneiras de aumentar a compra de produtos indianos e desenvolver novos projetos diretamente no mercado do país asiático.
A estratégia pretende estimular as exportações indianas para a Rússia e reduzir parte da diferença existente na balança comercial bilateral.
Energia fortalece relação entre Moscou e Nova Délhi
O setor energético continua sendo um dos principais pilares da parceria econômica entre Rússia e Índia.
As compras indianas de energia russa cresceram significativamente nos últimos anos, reforçando a importância do comércio de petróleo e outros recursos energéticos para as relações entre os dois países.
Moscou considera que esse intercâmbio pode continuar sendo ampliado ao mesmo tempo em que novas áreas de negócios são desenvolvidas.
Kremlin critica medidas contra parceiros da Rússia
Peskov também voltou a criticar sanções aplicadas contra países que mantêm relações comerciais com Moscou.
Na avaliação do Kremlin, medidas destinadas a pressionar terceiros por seus vínculos econômicos com a Rússia são consideradas ilegais e incompatíveis com os princípios defendidos por Moscou.
A posição está alinhada à defesa russa de uma maior liberdade para que os países estabeleçam relações comerciais e econômicas sem sofrerem pressão externa.
Putin e Modi terão reunião durante a cúpula
Além da agenda coletiva dos BRICS, Moscou confirmou um encontro bilateral entre o presidente Vladimir Putin e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi.
A reunião deverá abordar assuntos relacionados à cooperação entre os dois países e questões do cenário internacional.
Segundo Peskov, os dois líderes mantêm uma relação considerada próxima e pragmática, o que permite tratar de temas sensíveis por meio do diálogo direto.
Guerra na Ucrânia estará entre os assuntos
O conflito entre Rússia e Ucrânia também deverá fazer parte da conversa entre Putin e Modi.
O Kremlin afirmou que acompanha positivamente as iniciativas indianas voltadas à busca de uma solução negociada para a guerra.
Moscou sustenta que uma saída diplomática deve ser priorizada e afirma permanecer aberta às negociações.
Durante a reunião, Putin deverá apresentar ao primeiro-ministro indiano a avaliação russa sobre a situação atual do conflito e discutir possíveis caminhos para uma solução.
BRICS busca consolidar papel internacional
A declaração de Peskov ocorre em um momento de crescente atenção sobre o papel dos BRICS na política internacional.
Com a expansão do grupo e o aumento da participação de países emergentes, o bloco procura ampliar sua atuação em áreas como comércio, investimentos, tecnologia e financiamento.
A Rússia tenta apresentar essa articulação como uma plataforma de cooperação entre países com diferentes interesses e não como uma aliança criada para confrontar diretamente outras potências.
A próxima cúpula deverá colocar à prova justamente essa capacidade de coordenação entre seus integrantes, enquanto Rússia e Índia procuram aprofundar uma parceria que ganhou peso econômico e estratégico nos últimos anos.





























































