A 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas começa nesta terça-feira (8), em Nova York, tendo como principal mensagem a necessidade de “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação”. O encontro reunirá representantes dos 193 Estados-membros em um momento marcado por conflitos, tensões geopolíticas, dificuldades no financiamento do desenvolvimento e desafios relacionados às mudanças climáticas e às novas tecnologias.
A sessão também marca a última participação de António Guterres como secretário-geral da ONU. O português deixará o cargo no fim de dezembro, depois de dois mandatos consecutivos de cinco anos à frente da organização.
Escolha do novo secretário-geral ganha destaque
Um dos assuntos que devem dominar os bastidores da Assembleia-Geral será a sucessão de Guterres. A escolha do próximo secretário-geral ocorrerá em um cenário de crescente pressão sobre o sistema multilateral e sobre a capacidade da ONU de responder aos principais conflitos e crises internacionais.
O presidente da 81ª Assembleia-Geral será Khalilur Rahman, que assumirá o cargo para um mandato de um ano, até setembro de 2027. Sua gestão terá como orientação justamente o fortalecimento da confiança nas instituições multilaterais e a busca por uma ONU mais eficiente e capaz de atender aos diferentes países.
Líderes mundiais se reúnem em setembro
O momento de maior visibilidade da Assembleia-Geral será o Debate Geral de Alto Nível, previsto para começar em 22 de setembro e seguir até o dia 28. O encontro deverá reunir chefes de Estado e de governo para apresentar suas prioridades diante dos principais desafios internacionais.
Entre os líderes esperados estão os presidentes do Brasil, dos Estados Unidos e da Ucrânia, além do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov. Portugal deverá ser representado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro.
Como ocorre tradicionalmente, o Brasil deverá ser o primeiro país a discursar no Debate Geral, uma posição mantida pela tradição diplomática desde os primeiros anos da organização.
Desenvolvimento sustentável volta ao centro da agenda
A recuperação do ritmo de implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) também estará entre as prioridades da sessão. No dia 18 de setembro, o chamado “Momento ODS” deverá discutir iniciativas capazes de acelerar o cumprimento das metas estabelecidas para 2030.
A agenda ocorre em meio a dificuldades econômicas e políticas que afetam a capacidade de diversos países de financiar políticas de desenvolvimento. Para a ONU, ampliar a cooperação internacional será fundamental para evitar retrocessos nas metas relacionadas à pobreza, saúde, educação, igualdade e sustentabilidade.
Mudanças climáticas terão espaço importante
A crise climática também terá destaque na programação. Uma Cúpula do Clima está prevista para 23 de setembro, reunindo representantes de grandes economias, países desenvolvidos e em desenvolvimento, nações particularmente vulneráveis e importantes produtores e consumidores de energia.
No dia seguinte, líderes, especialistas e representantes de diferentes setores deverão discutir o avanço do nível do mar, considerado uma ameaça crescente para populações e territórios costeiros.
A agenda ambiental reforça a preocupação da ONU com os efeitos das mudanças climáticas e com a necessidade de ampliar a cooperação internacional para adaptação e redução de riscos.
Saúde global e prevenção de pandemias
Outro encontro de alto nível está programado para 25 de setembro e será dedicado à prevenção, preparação e resposta a pandemias. A expectativa é que as discussões resultem em uma declaração política voltada para ações coordenadas entre os países.
A iniciativa ocorre após a experiência internacional deixada pela pandemia de covid-19 e diante da preocupação com a capacidade dos sistemas nacionais de saúde de responderem rapidamente a futuras emergências sanitárias.
Conflitos aumentam pressão sobre a ONU
A 81ª Assembleia-Geral ocorre em um ambiente internacional especialmente complexo. Conflitos armados, disputas geopolíticas, mudanças tecnológicas aceleradas, crise climática e dificuldades para financiar o desenvolvimento colocam pressão sobre as instituições multilaterais.
Nesse cenário, o tema escolhido para a nova sessão procura responder justamente à necessidade de reconstruir a confiança na cooperação internacional. A proposta é fortalecer mecanismos capazes de produzir respostas coletivas em vez de ampliar a fragmentação entre os países.
A Assembleia-Geral tem uma característica singular dentro da estrutura da ONU: os 193 Estados-membros participam em condições de igualdade formal. Apesar disso, decisões de maior peso em matéria de segurança internacional permanecem concentradas no Conselho de Segurança, onde Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido possuem assentos permanentes e poder de veto.
Uma ONU diante de um novo cenário internacional
A 81ª Assembleia-Geral será, portanto, marcada por duas transições. De um lado, a organização se prepara para a saída de António Guterres e a escolha de um novo secretário-geral. De outro, enfrenta um sistema internacional cada vez mais pressionado por conflitos, rivalidades estratégicas, mudanças econômicas e transformações tecnológicas.
A mensagem de “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação” procura colocar a cooperação multilateral novamente no centro da agenda. O desafio será transformar o discurso em decisões concretas capazes de responder às crises que afetam diferentes regiões do mundo.





























































