A Rússia deu mais um passo na modernização de sua frota convencional de submarinos. Em 27 de agosto, o Estaleiro do Almirantado, em São Petersburgo, realizou a cerimônia de batimento de quilha do Maloyaroslavets, nova unidade do Projeto 677, conhecido como classe Lada.
O submarino será incorporado à Marinha Russa e representa a continuidade de um programa que passou por uma longa fase de desenvolvimento e aperfeiçoamento tecnológico. A nova embarcação é apresentada oficialmente como o sexto submarino do Projeto 677, embora seja o quinto construído dentro da configuração de série modernizada.
Novo Lada recebe o nome Maloyaroslavets
O submarino recebeu o nome Maloyaroslavets, em referência à cidade de mesmo nome localizada na região de Kaluga, conhecida na Rússia por seu histórico militar.
A cerimônia contou com a participação de autoridades políticas e militares russas, incluindo Nikolai Patrushev, assessor do presidente Vladimir Putin e presidente do Conselho Marítimo, e o comandante-chefe da Marinha Russa, almirante Alexander Moiseev.
Também participaram representantes da United Shipbuilding Corporation (USC), do Estaleiro do Almirantado e do escritório de projetos Rubin, responsável pelo desenvolvimento do submarino.
Projeto Lada passou por uma grande reformulação
O Projeto 677 foi desenvolvido pelo escritório Rubin para substituir submarinos das famílias 877 e 636, conhecidas internacionalmente como classes Kilo e Improved Kilo.
A proposta original era criar uma embarcação convencional mais compacta, automatizada e silenciosa, com uma série de novos sistemas eletrônicos, sensores e equipamentos de combate.
Entretanto, o programa enfrentou dificuldades durante o desenvolvimento do primeiro submarino, o Saint Petersburg.
A embarcação foi lançada em 2004 e entregue à Marinha em 2010, mas problemas principalmente relacionados ao sistema de propulsão levaram a uma extensa revisão do projeto. As experiências obtidas durante a operação experimental acabaram sendo utilizadas para modificar as unidades seguintes.
Versão modernizada chegou à Marinha
A primeira unidade construída segundo a configuração revisada foi o Kronshtadt, que entrou oficialmente em serviço em janeiro de 2024.
Posteriormente, o Velikiye Luki foi incorporado à Marinha Russa em dezembro de 2025, após concluir os testes necessários para sua aceitação.
Enquanto isso, os submarinos Vologda e Yaroslavl permanecem em construção no Estaleiro do Almirantado. As quilhas das duas embarcações foram batidas em junho de 2022.
Com o início da construção do Maloyaroslavets, o programa passa a contar com diferentes unidades em serviço e em construção, indicando que Moscou pretende manter o Projeto 677 como uma das principais linhas de submarinos convencionais de sua frota.
Submarino é projetado para operar com alta automação
O Lada possui aproximadamente 66,8 metros de comprimento, boca de 7,1 metros e deslocamento estimado em cerca de 1.765 toneladas na superfície e 2.650 toneladas submerso.
Uma das características do projeto é o elevado nível de automação, que permite operar a embarcação com uma tripulação relativamente pequena, estimada em aproximadamente 35 militares.
O sistema de propulsão é do tipo diesel-elétrico e utiliza um motor elétrico de propulsão com ímãs permanentes.
A velocidade máxima submersa divulgada para o projeto chega a aproximadamente 21 nós.
Sonar e redução de assinatura são prioridades
A classe Lada foi desenvolvida com forte ênfase na redução de sua assinatura acústica e na capacidade de detectar outras embarcações.
O submarino utiliza um conjunto de sonar digital integrado e sistemas automatizados de gerenciamento de combate.
A combinação entre menor nível de ruído, sensores modernos e automação busca aumentar a capacidade da embarcação de realizar operações de guerra antissubmarino e antissuperfície.
Essas características fazem parte da proposta de criar um submarino convencional de nova geração para a Marinha Russa.
Lada pode lançar torpedos, minas e mísseis
O armamento do Projeto 677 inclui seis tubos de torpedo de 533 milímetros.
A configuração permite transportar diferentes tipos de armas, incluindo torpedos, minas e mísseis da família Kalibr, que podem ser lançados pelos tubos.
Dessa maneira, o submarino pode executar missões contra outros submarinos, navios de superfície e determinados alvos terrestres.
A capacidade de empregar diferentes tipos de armamento amplia a flexibilidade operacional da classe e permite que a mesma plataforma seja utilizada em diferentes cenários.
Propulsão independente do ar continua como possibilidade
Um dos elementos associados ao desenvolvimento do Projeto 677 é a possibilidade de utilização de um sistema de propulsão independente do ar (AIP).
A tecnologia foi concebida para permitir que o submarino permaneça submerso por períodos maiores sem precisar recorrer frequentemente ao funcionamento de motores associados à necessidade de renovação do ar.
O Rubin continua apresentando essa capacidade como uma opção para o projeto, mas é importante destacar que os submarinos Lada atualmente em serviço são classificados como unidades convencionais diesel-elétricas e não devem ser tratados como submarinos equipados com AIP operacional.
Rússia pretende ampliar a frota de submarinos convencionais
O início da construção do Maloyaroslavets ocorre dentro de uma estratégia mais ampla de modernização da Marinha Russa.
Segundo autoridades russas, a modernização das forças submarinas é considerada uma das prioridades para o desenvolvimento da frota até 2050.
A expectativa divulgada na Rússia é de que o programa Lada continue avançando, com planos para a construção de pelo menos nove unidades do Projeto 677.
A continuidade da produção também permite à indústria naval russa aproveitar as modificações realizadas após a experiência com o protótipo Saint Petersburg e consolidar uma configuração mais madura do projeto.
Um novo capítulo para o Projeto 677
O Maloyaroslavets representa, portanto, mais do que uma nova unidade para a Marinha Russa. Seu início de construção demonstra que Moscou pretende continuar investindo em submarinos convencionais mesmo enquanto mantém programas de embarcações de propulsão nuclear.
A evolução do Projeto 677 também mostra como a Rússia utilizou os problemas encontrados no primeiro submarino para revisar sistemas de propulsão, eletrônica, controle e navegação.
Com novas unidades em construção e outras já incorporadas à frota, a classe Lada deverá continuar desempenhando um papel relevante na estratégia russa para sua força submarina convencional.





























































