Possível saída de um dos países fundadores ocorre meses depois da decisão dos Emirados Árabes Unidos e reacende debate sobre a influência da organização no mercado mundial de petróleo
A possibilidade de a Venezuela deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) abriu uma nova frente de preocupação para o grupo, que durante décadas ocupou posição central nas decisões sobre produção e preços do petróleo no mercado internacional.
A Venezuela está entre os fundadores da Opep e possui algumas das maiores reservas de petróleo do planeta. Uma eventual saída teria, portanto, um peso que vai além dos volumes atualmente produzidos pelo país: representaria a perda de um integrante historicamente ligado à construção da organização.
O movimento ganha importância porque ocorre poucos meses depois de os Emirados Árabes Unidos deixarem o grupo. A possibilidade de duas baixas em um período relativamente curto aumenta os questionamentos sobre a capacidade da Opep de preservar sua coesão e influência diante das transformações do setor energético.
Criada em 1960, a organização surgiu justamente com participação venezuelana. Irã, Iraque, Kuwait e Arábia Saudita completavam o grupo de cinco países que deram origem à entidade.
Ao longo das décadas, a Opep tornou-se uma das organizações mais influentes do setor de energia, utilizando a coordenação entre seus integrantes para administrar a oferta de petróleo. Nos últimos anos, entretanto, mudanças na produção mundial, o avanço de produtores externos ao bloco e novos interesses econômicos entre os próprios integrantes vêm alterando esse equilíbrio.
Para a Venezuela, uma eventual decisão também teria forte significado político. O país mantém uma relação histórica com a organização e participou de momentos decisivos de articulação entre grandes produtores.
Por enquanto, trata-se de uma possibilidade de saída, e não de uma retirada já concretizada. A eventual decisão venezuelana, no entanto, acrescenta um novo elemento às discussões sobre o futuro da Opep e sobre o espaço que o grupo continuará ocupando no mercado internacional de petróleo.





























































