Uma importante delegação de Ruanda esteve no Brasil em uma agenda voltada à ampliação das relações comerciais, dos investimentos e da cooperação entre os dois países. A missão reuniu representantes do governo ruandês, empresários e integrantes de diferentes instituições e setores da economia, que vieram ao país para conhecer experiências brasileiras e buscar novas oportunidades de negócios e parcerias.
Durante a passagem pelo Brasil, a delegação participou de reuniões e visitas a instituições brasileiras, entre elas a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Agricultura, tecnologia, inovação, formação profissional, indústria, comércio e investimentos estiveram entre os temas abordados.
Um dos destaques da missão foi a presença de Chantal Tuyishimire, Secretária Permanente do Ministério do Comércio e Indústria de Ruanda, que falou sobre o interesse do país em ampliar a relação com o Brasil, aproveitar a experiência brasileira em diferentes áreas e atrair empresas brasileiras para investir em Ruanda.
Em entrevista, Chantal também apresentou produtos ruandeses com potencial de exportação para o mercado brasileiro, como café e chá, e destacou a posição estratégica de Ruanda como porta de entrada para outros mercados africanos.
Entrevista com Chantal Tuyishimire
Qual é o objetivo desta visita ao Brasil? O que Ruanda busca desenvolver com o Brasil? Qual é o principal objetivo desta missão empresarial?
Chantal Tuyishimire, Secretária Permanente do Ministério do Comércio e Indústria de Ruanda:
Ruanda e Brasil já têm um volume significativo de comércio, e recebemos muitos produtos diferentes do Brasil, principalmente do setor agrícola, além de produtos de outros setores e equipamentos para a área de construção.
Pensamos em construir relações bilaterais mais fortes com o Brasil há alguns anos, e isso inclusive motivou a abertura da nossa embaixada aqui.
Quando começamos a pensar em estabelecer uma embaixada, foi justamente porque vimos que o Brasil tem muito potencial e muitas oportunidades. Brasil e Ruanda possuem condições tropicais semelhantes em relação à terra, e percebemos que, ao nos aproximarmos do Brasil, teremos muito a aprender, não apenas em termos de capacitação, mas também no acesso a tecnologias avançadas que o país desenvolveu.
Algumas horas atrás, estivemos na Embrapa, e é possível ver claramente uma transformação muito grande. É possível observar o crescimento, praticamente do zero até alcançar resultados expressivos. Essa é uma das coisas que estamos buscando.
Mas a missão não se limita à agricultura. Viemos também com empresas farmacêuticas, empresas de construção e um grupo diversificado de companhias interessadas em conhecer e aproveitar diferentes oportunidades no Brasil.
Além disso, estamos acompanhados por diferentes instituições governamentais, incluindo institutos politécnicos. Sabemos que o Brasil avançou muito no ensino politécnico e no ensino técnico e profissionalizante, especialmente no desenvolvimento de habilidades para a indústria.
Ainda temos uma lacuna nessa área em Ruanda, e é por isso que temos, inclusive, Memorandos de Entendimento em andamento que poderão ser assinados em breve.
Também estamos interessados em inovação.
E em relação à inovação?
Chantal Tuyishimire:
Sim, também estamos muito interessados em inovação. O Brasil desenvolveu muitas soluções inovadoras que despertam o interesse de Ruanda.
Mas não para por aí. Ruanda também possui diferentes produtos que queremos promover.
Temos uma variedade de chás e cafés que acreditamos poder exportar para o Brasil, além de outros produtos que estamos produzindo em Ruanda e que também podem chegar ao mercado brasileiro.
Portanto, esta missão comercial começa pelo comércio, mas pretende avançar para aumentar também a industrialização nos dois países.
Ruanda é uma excelente porta de entrada para mudar a perspectiva sobre a África. Brasil, vocês são muito bem-vindos para investir em Ruanda e para estabelecer parcerias conosco.
Sejam bem-vindos para conhecer um país seguro, estável, transparente e previsível.
Para se ter uma ideia, abrir uma empresa em Ruanda pode ser feito em poucas horas.
Portanto, vocês são muito bem-vindos. Podemos construir um cenário muito forte para o futuro.
Não se trata apenas de um mercado de 14 milhões de pessoas. Trata-se também da conectividade e da posição estratégica de Ruanda no centro de diferentes mercados regionais.
Ruanda pode ser considerado um hub regional?
Chantal Tuyishimire:
Sim, é um hub também para outros parceiros regionais.
Estamos entre a EAC, a COMESA e a AfCFTA, a Área de Livre Comércio Continental Africana.
Isso significa que, ao chegar a Ruanda, você está, na verdade, mirando um mercado de mais de 1,5 bilhão de pessoas.
Muito obrigada. Espero visitar Ruanda em breve.
Chantal Tuyishimire:
Será um prazer recebê-la.






























































