Uma visita diplomática pode ser apenas uma agenda protocolar. Mas algumas visitas carregam um significado muito maior.
A aproximação da Secretaris de Relações Internacionais das Filipinas das Filipinas, Maria Theresa Lazaro, com a Embraer coloca em evidência uma dimensão estratégica das relações entre Brasil e Sudeste Asiático: a possibilidade de transformar diplomacia em negócios, tecnologia e novos mercados para a indústria brasileira.
E a Embraer é um dos melhores cartões de visita que o Brasil poderia apresentar ao mundo.
Em um momento em que as grandes potências disputam mercados, tecnologia e influência, o Brasil tem uma empresa capaz de competir em um dos setores mais sofisticados da economia global. A fabricante brasileira não vende apenas aeronaves. Vende engenharia, tecnologia, serviços, treinamento, manutenção e uma cadeia industrial que gera conhecimento e empregos de alta qualificação.
Para as Filipinas, essa aproximação também pode ser estratégica.
O país ocupa uma posição importante no Indo-Pacífico e, em 2026, exerce a presidência da ASEAN. A região está no centro das grandes transformações econômicas e geopolíticas do planeta. Para o Brasil, aproximar-se desse mercado significa ampliar sua presença em uma parte do mundo onde comércio, infraestrutura, tecnologia e segurança estão cada vez mais conectados.
Não se trata apenas de vender aviões.
Trata-se de abrir portas.
Uma negociação envolvendo aeronaves pode gerar contratos de manutenção, treinamento de profissionais, serviços de engenharia, financiamento, transferência de conhecimento e oportunidades para fornecedores brasileiros. É assim que uma venda deixa de ser apenas uma operação comercial e passa a funcionar como instrumento de aproximação entre dois países.
E existe uma oportunidade ainda maior.
O comércio entre Brasil e os países da ASEAN ultrapassou US$ 38,4 bilhões em 2025, segundo o Ministério das Relações Exteriores. O bloco já é o quinto maior parceiro comercial brasileiro e respondeu por 15% do superávit da balança comercial do Brasil naquele ano.
Os números mostram que existe mercado.
Agora é preciso transformar mercado em estratégia.
A visita à Embraer, se confirmada como parte dessa aproximação, representa justamente esse movimento: a diplomacia deixando os salões oficiais e entrando na fábrica, onde a capacidade brasileira se transforma em produto de alta tecnologia.
É também uma mensagem para o próprio Brasil.
O país não pode se enxergar apenas como exportador de commodities. Precisa mostrar que também é capaz de produzir aviões, tecnologia, sistemas complexos e soluções que disputam espaço com algumas das maiores empresas do planeta.
A Embraer é prova disso.
Em 2026, a companhia projeta entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e entre 160 e 170 jatos executivos, com receita consolidada estimada entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões.
É uma potência industrial brasileira que fala uma linguagem que o mundo entende: competitividade.
Por isso, a aproximação com as Filipinas merece atenção. Em um mundo cada vez mais fragmentado, o Brasil precisa diversificar parceiros, conquistar mercados e usar sua diplomacia para criar oportunidades para suas empresas.
A questão é maior do que um eventual contrato de aeronaves.
É sobre o Brasil descobrir que diplomacia também pode significar emprego, investimento, tecnologia e exportação.
E talvez essa seja uma das grandes tarefas da política externa brasileira nos próximos anos: fazer com que cada encontro entre autoridades estrangeiras e empresas nacionais seja uma oportunidade concreta de negócios.
Porque o Brasil já tem produtos que o mundo quer.
O desafio agora é garantir que o mundo conheça, compre e invista cada vez mais naquilo que o Brasil sabe fazer.





























































