O ministro da Defesa Nacional do Chile, Fernando Barros, reagiu às declarações feitas pelo secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, durante uma reunião com ministros da Defesa da América Latina. Em entrevista ao canal chileno 24 Horas, Barros defendeu a autonomia do Chile e afirmou que o país não é “o quintal” de nenhuma nação.
Hegseth havia chamado os países latino-americanos a aumentar seus investimentos em defesa, participar de operações conjuntas de combate ao narcotráfico e abandonar a Corte Penal Internacional. As declarações ocorreram no contexto da iniciativa norte-americana denominada “Escudo das Américas”.
Ao comentar o encontro, Barros explicou que, para o Chile, a reunião tinha inicialmente um caráter técnico e estava concentrada na cooperação entre os países para combater o narcotráfico. Segundo o ministro, questões como financiamento e aumento dos gastos militares não faziam parte do objetivo central daquela reunião.
Sobre o pedido dos Estados Unidos para que os países aumentem seus investimentos em defesa, Barros afirmou que essa é uma decisão que deve ser tomada individualmente por cada nação, levando em consideração sua realidade, suas necessidades, capacidades e prioridades.
O ministro também foi questionado sobre a possibilidade de as declarações norte-americanas representarem uma ameaça à região e sobre uma eventual retomada de conceitos relacionados à Doutrina Monroe, historicamente associada à influência dos Estados Unidos sobre a América Latina.
Foi nesse contexto que Barros fez sua declaração mais contundente:
“Do ponto de vista do Chile, nós não somos o quintal de nenhum país.”
O ministro acrescentou que o Chile tem orgulho de sua própria realidade e que o país está disposto a receber e desenvolver cooperação internacional quando ela for útil. Segundo Barros, essa colaboração pode ocorrer em áreas como inteligência, informação e tecnologia.
Apesar do tom firme, Barros não defendeu o fim da cooperação com os Estados Unidos. Ao contrário, indicou que o Chile pode continuar trabalhando conjuntamente com Washington em assuntos que sejam considerados de interesse para o país.
O ministro também afirmou que a participação chilena nas iniciativas propostas pelos Estados Unidos não precisa ser uma decisão de “tudo ou nada”. Para ele, o Chile pode avaliar em quais áreas deseja participar e quais contribuições são compatíveis com suas próprias necessidades.
Em relação à Corte Penal Internacional, Barros afirmou que o assunto não estava diretamente ligado à reunião técnica de Defesa e que uma eventual posição do Chile deveria ser analisada pelas áreas correspondentes do governo.
A declaração de Fernando Barros repercutiu justamente por estabelecer um limite claro na relação com os Estados Unidos: o Chile pode cooperar com Washington, especialmente em temas de segurança e defesa, mas pretende manter sua capacidade de tomar decisões de acordo com seus próprios interesses.
A entrevista evidencia, portanto, uma posição de cooperação sem submissão, na qual o Chile busca manter relações com os Estados Unidos sem abrir mão de sua autonomia como país soberano.





























































