Apesar do forte crescimento registrado pelo setor aéreo brasileiro nos últimos anos, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) avalia que uma série de obstáculos estruturais continua impedindo o Brasil de assumir uma posição de liderança plena na aviação da América Latina.
O debate ganhou destaque durante a 82ª Assembleia Geral Anual da IATA, realizada no Rio de Janeiro, que reuniu cerca de 1.500 líderes da indústria aérea mundial, autoridades governamentais e especialistas do setor.
Segundo representantes da entidade e executivos da aviação, o país possui um enorme potencial de crescimento, impulsionado pelo tamanho de seu mercado interno, pela expansão do turismo e pela crescente demanda por conectividade aérea. No entanto, desafios relacionados à carga tributária, ao custo dos combustíveis, à insegurança regulatória e à infraestrutura continuam limitando esse avanço.
Crescimento expressivo, mas potencial ainda subaproveitado
Dados apresentados durante o encontro mostram que o Brasil foi o mercado doméstico de aviação que mais cresceu entre os maiores mercados do mundo em 2025. O país também registrou recordes de passageiros transportados e expansão da demanda em voos domésticos e internacionais.
Apesar desse desempenho, especialistas observam que a taxa de utilização do transporte aéreo ainda permanece abaixo dos níveis registrados em mercados mais desenvolvidos, indicando amplo espaço para expansão da conectividade nacional e regional.
Carga tributária preocupa o setor
Entre as principais preocupações apontadas pela IATA está o peso da tributação sobre a aviação. A entidade afirma que a América Latina possui uma das maiores cargas tributárias do setor no mundo, superando significativamente os índices observados na América do Norte.
A reforma tributária brasileira também foi alvo de debates durante a assembleia. Representantes da indústria avaliam que a nova estrutura tributária poderá elevar os custos operacionais das companhias aéreas e impactar diretamente o preço das passagens, reduzindo a demanda por viagens aéreas.
Combustível e judicialização entre os desafios
Outro fator apontado como entrave ao crescimento é o elevado custo do querosene de aviação (QAV), que representa uma parcela significativa das despesas operacionais das companhias aéreas brasileiras. Além disso, a alta judicialização do setor e as incertezas regulatórias também figuram entre os principais desafios identificados pela indústria.
Executivos do setor defendem a adoção de políticas públicas de longo prazo capazes de estimular investimentos, ampliar a infraestrutura aeroportuária e aumentar a competitividade do mercado brasileiro.
Potencial estratégico para o futuro
Durante a assembleia da IATA, o Brasil foi apresentado como um dos mercados mais promissores da aviação global. A entidade destacou o potencial do país para ampliar o turismo internacional, fortalecer a conectividade regional e desenvolver a produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF).
Para os líderes da indústria, transformar esse potencial em realidade dependerá da superação dos gargalos estruturais e da implementação de políticas que incentivem o crescimento sustentável do setor, permitindo que o Brasil assuma um papel ainda mais relevante no cenário da aviação latino-americana e mundial.







































































