O câncer de mama segue como o tipo de tumor mais frequente entre as mulheres no Brasil e também a principal causa de morte por câncer nesse grupo. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer, aproximadamente 73 mil novos casos da doença são registrados anualmente no país, além de mais de 20 mil mortes por ano.
Diante desse cenário, pesquisadoras brasileiras desenvolveram um exame de sangue que pode contribuir para ampliar as estratégias de rastreamento e prevenção da doença. A tecnologia, chamada RosalindTest®, foi criada para identificar sinais moleculares associados ao câncer de mama por meio da análise de biomarcadores presentes na corrente sanguínea.
O teste surgiu a partir de pesquisas em expressão gênica e biologia molecular, com o objetivo de transformar descobertas científicas em uma ferramenta aplicável na prática clínica. O projeto foi conduzido por cientistas brasileiras com atuação nas áreas de genética e farmacologia.
Entre as responsáveis pelo desenvolvimento estão a biomédica Glaucia Raquel Luciano da Veiga, doutora em Farmacologia pela Universidade Federal de São Paulo, e a geneticista Beatriz da Costa Aguiar Alves Reis, doutora pela Universidade de São Paulo.
Segundo Glaucia, que também é pesquisadora líder e cofundadora da iniciativa, a proposta sempre foi transformar o conhecimento científico em uma solução prática para apoiar decisões médicas. “O objetivo do projeto sempre foi transformar conhecimento científico em uma ferramenta acessível, capaz de apoiar decisões clínicas e fortalecer as estratégias de prevenção”, afirmou.
Como funciona o exame
O RosalindTest® realiza a análise de biomarcadores moleculares presentes no sangue que estão associados ao desenvolvimento do câncer de mama. Estudos que fundamentaram a tecnologia investigaram como células tumorais passam a ativar determinados genes relacionados ao crescimento e à sobrevivência do tumor.
Essas alterações podem ser detectadas a partir da avaliação da expressão desses marcadores na corrente sanguínea. Com uma simples coleta de sangue, o teste busca identificar sinais moleculares que podem indicar precocemente a presença da doença.
Em estudos preliminares, o exame demonstrou cerca de 95% de acurácia na distinção entre mulheres com e sem câncer de mama. O resultado pode ser utilizado como ferramenta de triagem, auxiliando médicos na indicação de exames complementares, como mamografia ou biópsia.
Apesar do potencial, especialistas ressaltam que o teste não substitui os métodos tradicionais de diagnóstico, mas pode atuar como um recurso adicional para ampliar as estratégias de detecção precoce da doença — fator considerado essencial para aumentar as chances de tratamento bem-sucedido.








































































