Durante o primeiro dia da cimeira bilateral, realizado na quinta-feira (29), em Montreal, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, declarou que o país está a construir uma nova aliança com a União Europeia na condição de possível membro associado. A manifestação ocorreu após declarações semelhantes da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Carney afirmou que Canadá e União Europeia estão a formar uma parceria voltada para o futuro. A declaração foi feita antes de uma reunião com representantes do setor empresarial canadiano e europeu.
Von der Leyen explicou que o Canadá não pode integrar o bloco como membro pleno devido à sua localização geográfica, mas defendeu que a relação entre as partes alcance um nível de cooperação mais elevado. Segundo ela, a possibilidade de criar um estatuto de membro associado está em discussão.
António Costa também demonstrou apoio à aproximação. O presidente do Conselho Europeu classificou a proposta como uma iniciativa ambiciosa, mas indicou que a denominação final ainda poderá ser diferente.
Divergências entre países europeus
Apesar das manifestações públicas de apoio, a proposta enfrenta resistência dentro da União Europeia. Alemanha e França estão entre os países que contestam a utilização da expressão “membro associado”.
O principal entrave é que essa categoria não está prevista nos tratados europeus e ainda não possui definição jurídica ou institucional. A Alemanha considera que a designação deveria ser reservada à Ucrânia, enquanto a França questiona a forma como a iniciativa foi apresentada, sem consulta prévia aos Estados-membros.
As divergências também apareceram nas negociações da declaração conjunta da cimeira. Uma versão do documento deixou de mencionar a adesão associada e passou a defender uma associação cada vez mais estreita entre as partes, enquanto os detalhes da relação continuam em negociação.
Aproximação em meio a mudanças geopolíticas
O interesse canadiano em estreitar os vínculos com a Europa está relacionado à transformação do cenário económico e geopolítico internacional. As tensões comerciais com os Estados Unidos, intensificadas durante o segundo mandato de Donald Trump, levaram Ottawa a buscar maior diversificação de suas relações económicas e estratégicas.
A ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Anita Anand, afirmou que o país pretende fortalecer alianças fundamentadas em confiança, estabilidade e previsibilidade. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, também defendeu a ampliação da cooperação, destacando a importância de reduzir dependências que possam representar vulnerabilidades.
A cimeira de Montreal, com duração de dois dias, busca estabelecer as bases para uma parceria mais abrangente. Entre os temas em discussão estão comércio, segurança, energia, tecnologia e cooperação internacional.
Embora a possibilidade de o Canadá se tornar o primeiro membro associado da União Europeia tenha recebido apoio público de lideranças dos dois lados do Atlântico, o formato jurídico e institucional dessa relação permanece indefinido. As negociações deverão continuar para determinar o conteúdo e os mecanismos concretos da nova parceria.




























































