O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou que a Rússia interferiu no referendo de 2016 que determinou a saída britânica da União Europeia. A declaração foi feita em uma entrevista ao podcast The Rest Is Politics e representa, segundo relatos da imprensa, a primeira vez que um chefe de governo britânico reconhece publicamente essa interferência.
Burnham explicou que, ao assumir o cargo em julho de 2026, questionou os seus assessores sobre a possível participação russa na votação que ficou conhecida como Brexit. De acordo com o primeiro-ministro, a resposta recebida confirmou que houve interferência. No entanto, ele não apresentou detalhes específicos nem divulgou novas provas para fundamentar a afirmação.
O líder britânico destacou que tornar o assunto público é importante para alertar outras democracias europeias sobre possíveis tentativas de influência estrangeira em seus processos políticos. Na sua avaliação, os eleitores de países como Alemanha e França precisam estar conscientes dos riscos associados à desinformação e às ações destinadas a influenciar o debate público.
A declaração ocorre em um contexto de crescente preocupação das autoridades britânicas com as atividades russas direcionadas às instituições democráticas. Em 2020, uma comissão parlamentar responsável pela análise das atividades de inteligência concluiu que o governo do Reino Unido não havia investigado suficientemente o possível impacto da atuação de meios de comunicação estatais russos e de contas coordenadas nas redes sociais durante a campanha do referendo.
O relatório também apontou evidências de que a Rússia tentou influenciar o referendo de independência da Escócia, realizado em 2014. Na ocasião, a população votou contra a separação do Reino Unido.
Burnham afirmou ainda que conversou com o chanceler alemão Friedrich Merz sobre possíveis vínculos entre Moscovo e o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de direita radical. Segundo o primeiro-ministro britânico, a discussão envolveu suspeitas de financiamento e a disseminação de informações falsas ou enganosas na política alemã. Essas alegações foram apresentadas por Burnham, sem que ele divulgasse detalhes comprobatórios durante a entrevista.
O governo russo nega há anos interferir em eleições e referendos de outros países, rejeitando acusações de ingerência política no Ocidente.
O Brexit continua sendo um dos episódios mais importantes da história política recente do Reino Unido. No referendo de junho de 2016, aproximadamente 52% dos eleitores votaram pela saída da União Europeia, enquanto cerca de 48% preferiram permanecer no bloco.
As declarações de Burnham reacendem o debate sobre a segurança dos processos eleitorais, a influência estrangeira e a necessidade de proteger as instituições democráticas diante de campanhas de desinformação.




























































