Evento realizado na Residência Oficial da Bélgica reuniu representantes dos três países em torno de um idioma compartilhado e destacou a língua como instrumento de identidade, cultura e aproximação entre povos
A língua neerlandesa foi o ponto de encontro entre três países de diferentes continentes durante uma celebração realizada em Brasília. Bélgica, Países Baixos e Suriname se reuniram na Residência Oficial da Bélgica para marcar a 5ª edição da Semana da Língua Neerlandesa, iniciativa dedicada à valorização do idioma, da diversidade cultural e do intercâmbio entre as sociedades que compartilham essa herança linguística.
O encontro reuniu o embaixador da Bélgica no Brasil, Chris Hoornaert, o embaixador dos Países Baixos, Aldrik Gierveld, e o embaixador do Suriname, Ike Desmond Antonius, além de diplomatas, professores, estudantes e representantes da Universidade de Brasília (UnB).
Apesar das diferenças históricas e geográficas entre os três países, o neerlandês funciona como um elemento comum. Na Bélgica, divide o status de língua oficial com o francês e o alemão. Nos Países Baixos, ocupa posição central na vida nacional. Já o Suriname possui uma particularidade no continente: é o único país independente da América do Sul que tem o neerlandês como língua oficial.
Anfitrião do encontro, o embaixador Chris Hoornaert destacou a importância de preservar os idiomas como parte da história e da identidade das sociedades.
Em entrevista à jornalista Fabiana Ceyhan, para o R7, o diplomata ressaltou que a existência de idiomas de grande alcance internacional não diminui a importância das demais línguas.
“A especificidade dos países e das populações, a preservação de sua própria identidade, história e cultura, também está ligada à língua. Portanto, não podemos perder isso”, afirmou Hoornaert.
Para o embaixador, falar de uma língua significa também reconhecer as diferenças existentes dentro das próprias sociedades. Ele defendeu o respeito às diferentes identidades e culturas e lembrou que Bélgica, Países Baixos e Suriname mantêm uma cooperação institucional voltada à preservação e à promoção do neerlandês.
“Nossos ministros da Cultura e da Educação já se reuniram mais de cem vezes para discutir como estimular nossa língua, como promovê-la e como garantir sua continuidade. Portanto, a língua também nos une”, disse o diplomata.
A celebração em Brasília também mostrou que o neerlandês não é uma língua uniforme ou isolada das transformações culturais. O idioma adquiriu características próprias nos diferentes lugares onde é utilizado e convive com influências do francês, do inglês e de diversas outras línguas.
Essa diversidade esteve entre os temas destacados durante o encontro. O embaixador dos Países Baixos, Aldrik Gierveld, lembrou que aproximadamente 26 milhões de pessoas falam neerlandês no mundo e ressaltou que sotaques, expressões e influências externas fazem parte da evolução natural do idioma.
O Suriname, por sua vez, acrescenta uma dimensão sul-americana à comunidade de língua neerlandesa. No país, o idioma convive com cerca de outras 20 línguas e integra uma sociedade marcada por diferentes origens culturais.
O embaixador surinamês Ike Desmond Antonius destacou durante a celebração justamente a capacidade da língua de criar conexões. Ao falar sobre educação e conhecimento, defendeu que aprender outros idiomas amplia horizontes e permite compreender diferentes perspectivas.
A participação da Universidade de Brasília reforçou o caráter acadêmico da iniciativa e aproximou estudantes e professores das representações diplomáticas dos três países.
Mais do que celebrar palavras ou regras gramaticais, a Semana da Língua Neerlandesa colocou em evidência uma característica fundamental dos idiomas: sua capacidade de transportar história, literatura, memória e identidade.
Ao reunir Bélgica, Países Baixos e Suriname em Brasília, a iniciativa mostrou também como uma língua compartilhada pode atravessar fronteiras e continentes e se transformar em instrumento de diálogo e aproximação entre diferentes sociedades.
Como resumiu o embaixador Chris Hoornaert ao falar sobre essa relação entre idioma e pertencimento: “Devemos sempre respeitar as diferentes identidades e as diferentes culturas.”



























































