A Embaixada de Cabo Verde no Brasil realizou uma cerimônia em comemoração aos 50 anos do país . O evento foi marcado por tributos, discursos e apresentações culturais, que ressaltaram os avanços do país nas áreas social, econômica e diplomatica e contou com a presença do ministro da Educação de Cabo Verde, Amadeu Cruz, como convidado de honra.
O embaixador cabo-verdiano no Brasil, José Pedro Chantre D’Oliveira, destacou em discurso os momentos mais relevantes da trajetória nacional desde a independência, enfatizando o compromisso contínuo do país com a estabilidade democrática. Cabo Verde mantém, há mais de três décadas e meia, um sistema político pacífico e transparente, sendo reconhecido como um dos exemplos mais sólidos de democracia no continente africano. O país também vem ganhando espaço no cenário global, tendo ocupado duas vezes um assento de membro não permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e presidido o órgão em quatro ocasiões.
Sobre a area economiaca do pais , o embaixador comemorou a recente reclassificação como uma economia de renda média-alta, de acordo com o Banco Mundial. Em 2024, o Produto Interno Bruto de Cabo Verde apresentou um crescimento de 7,3%, impulsionado principalmente pelo setor turístico. Na esfera social, a taxa de alfabetização saltou de 35% para 97%, e a renda per capita ultrapassou os Cabo Verde subiu 11 posições no ranking da organização Repórteres Sem Fronteiras, alcançando o 30º lugar entre 180 nações. O país também passa por uma mudança demográfica significativa, deixando de ser predominantemente um território de emigrantes para tornar-se um destino de imigrantes, consolidando sua imagem como uma nação acolhedora e aberta ao mundo.
A relação com o Brasil foi destacada como essencial para o desenvolvimento cabo-verdiano. O embaixador expressou gratidão pelo apoio prestado historicamente pelo Itamaraty e reconheceu a importância da comunidade cabo-verdiana no Brasil — carinhosamente chamada de “11ª ilha” do arquipélago
Brasil e Cabo Verde
Foram bem lembradas as semelhanças culturais, como a influência da Semana de Arte Moderna de 1922 no nascimento do Movimento Claridoso, considerado um marco intelectual da identidade cabo-verdiana.
Representando o governo brasileiro, o embaixador Carlos Sobral Duarte, secretário de África e Oriente Médio do Itamaraty, sublinhou a relevância da data para Cabo Verde, para o Brasil e para toda a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Ele lembrou que os vínculos entre as duas nações são anteriores à independência, com raízes históricas que remontam à era colonial. “A ilha de Santo Antão, terra natal do embaixador Chantré, tem papel de destaque no contexto do Tratado de Tordesilhas”, afirmou.
Duarte também prestou homenagem a Amílcar Cabral, líder da luta pela libertação, reconhecendo-o como símbolo de resistência e inspiração para a juventude brasileira comprometida com a solidariedade internacional. “O Brasil acompanhou com entusiasmo os movimentos de libertação na África, que simbolizam união e resistência”, declarou. Encerrando sua fala, propôs um brinde aos 50 anos de independência e ao fortalecimento contínuo da amizade bilateral: “Muito já realizamos juntos nas últimas cinco décadas, e estamos certos de que os próximos anos trarão resultados ainda mais positivos para nossos Amadeu Cruz, reforçou o peso simbólico e prático da data. “Hoje celebramos meio século de independência com orgulho e emoção. Esta data marca não apenas o fim do domínio colonial, mas o início de uma jornada sustentada na coragem, na resiliência e em uma visão progressista. Apostamos no que tínhamos de mais precioso: o nosso na das instituições. A alfabetização foi tratada como prioridade profunda, focada na valorização dos profissionais da educação e na integração de tecnologias ao ensino. Cruz também ressaltou a colaboração brasileira nesse processo, lembrando que milhares de cabo-verdianos cursaram universidades no Brasil, incluindo o atual presidente da República, José Maria Neves.
Encerrando sua participação, o ministro projetou um futuro esperançoso: “Cabo Verde é hoje uma nação de renda média, com liberdade de imprensa, instituições sólidas e reconhecimento internacional. Mas, acima de tudo, é um país que encara o futuro com ambição. Com uma juventude capacitada, uma democracia amadurecida e uma ampla rede de parcerias, temos todos os elementos para transformar os próximos 50 anos em um novo ciclo de conquistas.”