O presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmaram nesta quarta-feira (30) que o Reino Unido será recebido novamente na União Europeia caso os britânicos decidam retornar ao bloco.
As declarações foram feitas em Madri, durante uma entrevista coletiva conjunta, após o primeiro-ministro britânico Andy Burnham admitir que a possibilidade de uma futura reintegração à UE poderá ser considerada entre as opções para definir a relação de longo prazo entre Londres e o bloco.
Macron respondeu à possibilidade com a expressão “Welcome back” (“Bem-vindo de volta”) e afirmou que um eventual movimento britânico nessa direção seria uma notícia positiva para o Reino Unido e para os países europeus.
Sánchez também manifestou abertura à hipótese. Segundo o primeiro-ministro espanhol, a Espanha receberia novamente o Reino Unido e estaria disposta a fortalecer os vínculos entre os dois lados.
Reino Unido reavalia relação com a UE
A discussão foi reaberta depois de Burnham apresentar, durante a conferência anual do Partido Trabalhista, diferentes possibilidades para o relacionamento do Reino Unido com a União Europeia.
Em entrevista à BBC, o primeiro-ministro mencionou alternativas que vão desde a manutenção da relação atual até uma aproximação por meio da união aduaneira, do mercado único ou, em uma possibilidade mais abrangente, do retorno ao bloco europeu.
Burnham, porém, não anunciou um processo imediato para o retorno à UE nem um novo referendo. A proposta apresentada envolve discutir qual modelo poderá orientar a relação britânica com seus parceiros europeus no longo prazo.
Macron aponta condições para uma eventual volta
Apesar de apoiar a possibilidade de reaproximação, Macron ressaltou que uma eventual adesão não poderia funcionar como uma escolha seletiva de regras e benefícios.
O presidente francês afirmou que, caso Londres volte a integrar a União Europeia, deverá aceitar o conjunto de compromissos associados à participação no bloco.
A questão é particularmente relevante porque o mercado único europeu está baseado em quatro liberdades fundamentais: circulação de mercadorias, serviços, capitais e pessoas.
Brexit completou dez anos do referendo
O Reino Unido deixou formalmente a União Europeia em 2020, depois de os eleitores britânicos terem votado pela saída no referendo realizado em 2016.
A possibilidade de uma futura reintegração representa, portanto, uma mudança significativa no debate político britânico sobre o relacionamento com o continente europeu.
A discussão ocorre dez anos depois do referendo e em meio a debates sobre os efeitos econômicos, comerciais e políticos da saída britânica.
União Europeia mantém cautela
Embora Macron e Sánchez tenham demonstrado apoio à possibilidade de retorno, a posição oficial da União Europeia é mais institucional.
Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que o Reino Unido continua sendo um parceiro próximo e valorizado do bloco e que caberá ao governo britânico definir como pretende desenvolver sua relação com a UE.
Uma eventual adesão, caso venha a ser formalmente solicitada, dependeria de um processo próprio e da negociação das condições de entrada.
Cúpula entre Reino Unido e União Europeia
A discussão também ocorre antes de uma cúpula entre Reino Unido e União Europeia prevista para novembro de 2026.
O encontro deverá tratar de temas relacionados à cooperação econômica e política, incluindo comércio, circulação de pessoas, segurança e outras áreas de interesse comum.
Por enquanto, o debate está concentrado nas possibilidades para o futuro da relação entre Londres e Bruxelas. As declarações de Macron e Sánchez mostram que alguns governos europeus estão abertos à discussão sobre uma eventual reintegração, enquanto o governo britânico ainda avalia diferentes modelos de relacionamento.
O cenário, portanto, marca uma nova etapa nas discussões sobre as relações entre Reino Unido e União Europeia, uma década após o referendo que iniciou o processo do Brexit.




























































