Depois do sucesso da quarta edição, que recompensou Senhor Vênus, de Rachilde, publicado pela Editora Ercolano e traduzido por Flávia Lago, a Embaixada da França no Brasil, por meio do seu Escritório do Livro e do Debate de Ideias, se prepara para mais uma cerimônia de premiação. Esta quinta edição do prêmio recompensa a melhor tradução de livros escritos originalmente em francês, traduzidos para o português do Brasil, e publicados aqui entre 1º de maio de 2025 e 30 de abril de 2026. Entre ficção e não-ficção, 30 títulos foram inscritos pelas editoras brasileiras este ano.
O júri de 2026 é composto pela tradutora premiada da quarta edição, Flávia Lago, assim como pelo professor, pesquisador, autor e tradutor Marcelo Jacques de Moraes, e pela professora e tradutora Laura Barbosa Campos. O objetivo do prêmio é dar visibilidade ao importante trabalho que é o da tradução, assim como aos grandes profissionais que são os tradutores do francês no Brasil, pontes essenciais entre as duas culturas. O prêmio visa também lançar luz sobre um livro, uma editora e um projeto editorial particularmente relevantes.
Prêmio: O tradutor selecionado pelo júri ganhará uma viagem de visitas e encontros profissionais na França. Terá a oportunidade de encontrar com seus pares e discutir sobre o trabalho da tradução e das editoras na França.
Cerimônia: O livro vencedor será revelado em evento no dia 28 de agosto de 2026, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. O evento, que também será transmitido ao vivo e disponível posteriormente no canal youtube da BiblioMaison (a biblioteca do Consulado da França no Rio), conta com a seguinte programação:
- 9h30: Abertura institucional
Com Marco Lucchesi, Presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Caroline Vabret, Adida de Cooperação e Ação Cultural no Consulado da França no Rio, Almerinda Stenzel, Diretora da Biblioteca do Goethe-Institut Rio de Janeiro, e Madeleine Deschamps, Representante da Associação Selvagem
- 10h: Mesa-redonda – Traduções Selvagem “Oralidade, mundos em contato e a experiência de uma malha de traduções”, em parceria com o Goethe-Institut Rio de Janeiro
Com Alice Faria, Antoine de Mena e Léo Wéra
- 11h15: “Ressonâncias: tradução e performance” – leituras comentadas
Com Yure Romão e os estudantes da UFRJ
- 11h40 Mesa-redonda – Conversa com o júri do Prêmio de Tradução da Embaixada da França
Com Flavia Lago, Marcelo Jacques de Moraes e Laura Campos
- 12h40: Entrega do Prêmio
- 12h50: Coquetel
Este ano, além da tradicional mesa do júri do Prêmio, o evento contará com duas intervenções excepcionais:
Uma mesa-redonda do Grupo de Traduções da associação Selvagem:
Uma conversa sobre tradução como um exercício de escuta, escolha e passagem entre mundos, a partir da experiência do Grupo de Tradução Selvagem. O Grupo de Traduções Selvagem é uma malha de tradutores espalhada pelo mundo. Ele colabora para a circulação das narrativas plurais sobre a vida e as múltiplas cosmovisões, transmitidas pela oralidade.
Sustentar a oralidade no escrito já é uma forma de tradução, pois carrega a oralidade para outro meio, e muitas vezes a fala que origina o material é também ela mesma uma tradução, pois a voz que enuncia não têm o português como primeira língua. Quando esses materiais, com seus diferentes graus de tradução, passam a ser então traduzidos para outras línguas – inglês, francês, espanhol, alemão ou romeno – entramos em mais uma camada dessa sobreposição.
Do desejo de conversar sobre essas dúvidas e escolhas nasceu o Grupo de Estudos Traduções, um encontro mensal que se tornou um espaço de pesquisa, reflexão e formação para os tradutores. As reuniões do Grupo levaram ainda à criação coletiva de um Guia de Traduções, pensado não como um manual de regras, mas como uma elaboração coletiva e a primeira acolhida para quem chega ao grupo.
A questão que se colocará nessa mesa é como traduzir vozes, relações, cosmologias e formas de construir sentido que chegam através da oralidade. As trocas que acontecem nesse percurso não dizem respeito apenas às particularidades de cada idioma, mas também aos desafios próprios dos materiais Selvagem: como preservar a oralidade? Como lidar com palavras e conceitos vindos de diferentes mundos indígenas? Como traduzir termos que carregam relações específicas com território, ritual, corpo e espiritualidade? Como traduzir até a palavra “indígena”? Para Indigenous; autochtone ou indigène; Indigenes Volk e tantas outras escolhas possíveis? Cada língua abre uma paisagem diferente. Todas essas escolhas têm reflexos políticos no vocabulário e na forma como o texto é construído.
Essa mesa conta com o apoio do Goethe-Institut Rio de Janeiro, por meio da cooperação franco-alemã “Juntes na Cultura”.
Uma apresentação do projeto Ressonâncias:
Criado a partir dos testemunhos de empregadas domésticas brasileiras que chegaram à França nos anos 2000 com diplomatas, o espetáculo “Ressonâncias: Revoltas Silenciosas” estabelece um diálogo com a migração institucional do BUMIDOM, através da obra de Françoise Ega, escritora martinicana e empregada doméstica em Marselha nos anos 1960, misturando relatos documentais, contos e música para celebrar as revoltas silenciosas e dos laços de solidariedade que unem essas mulheres.
Com as estudantes de literatura francesa e tradutoras do LAPOFRAN (Laboratório de Poéticas Francófonas) da UFRJ, Bruna Querén Hapuque de Lima, Larissa Miranda e Ana Luz, que traduziram a peça, e com a presença do diretor da peça Yure Romão, o público ouvirá leituras comentadas do texto em francês e português.
Palestrantes:

Flavia Lago é graduada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e mestre em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP). É coordenadora editorial do selo Gutenberg, do Grupo Autêntica. Flávia também colaborou com outras editoras brasileiras, como Cosac Naify, Saraiva, VR Editora e FTD. Como tradutora independente, trabalhou para Companhia das Letras, Companhia das Letrinhas, Instituto Moreira Salles, Editora Moderna, Temporal, Fósforo e Ercolano. Entre suas traduções destacam-se: Felina Feline, de Jean-Luc Fromental e Joëlle Jolivet (Yellowfante, 2025); Senhor Vénus, de Rachilde (Ercolano, 2024); Águas-vivas não têm ouvidos, de Adèle Rosenfeld (Fósforo, 2023); Eu, Ota, rio de Hiroshima, de Jean-Paul Alègre (Temporal, 2020); Monsieur Jabot, de Rodolphe Töpffer (Sesi-SP Editora, 2018). Ela ganhou o Prêmio de Tradução da Embaixada da França no Brasil de 2025 pela tradução de Monsieur Vénus (Senhor Vênus), de Rachilde.

Marcelo Jacques de Moraes é professor titular de literatura francesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisador do CNPq e Cientista do Nosso Estado da FAPERJ. Fez estágios de pós-doutorado na Universidade de Paris 8 (2003), na Universidade de Paris 7 (2010) e na UNICAMP (2015). Atuou por diversas vezes, entre 2008 e 2022, como professor convidado da Universidade Aix-Marselha (AMU). Foi editor da revista “Alea: Estudos Neolatinos” de 1999 a 2019. É autor de, entre outros, Christian Prigent (coleção Ciranda da poesia da Eduerj, 2015) O fracasso do poema, Língua contra língua (2017) e Experiência, linguagem, comunidade. Ensaios sobre a poesia e o teatro contemporâneos de língua francesa (com Rodrigo Ielpo, 2024). Traduziu diversos escritores e ensaístas franceses, entre os quais, mais recentemente, Georges Bataille, Liliane Giraudon, Marielle Macé, Marie de Quatrebarbes, Jean-Christophe Bailly e Hélène Cixous. Dirige a Editora UFRJ desde outubro de 2019. Em janeiro de 2026, atuou como professor convidado da École de Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS-Paris).

Laura Barbosa Campos é professora associada do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde atua na Graduação em Letras – Português-Francês e no Programa de Pós- Graduação em Letras. Doutora em Letras pela Universidade Federal Fluminense (2013), realizou estágio pós-doutoral na Universidade de Rouen (2019), com pesquisa sobre narrativas de filiação na literatura francesa contemporânea. Coorganizou, entre outras, as seguintes obras: “Escrever a vida”: Diálogos em torno de Annie Ernaux (Editar, 2024) e Literatura de autoria feminina em destaque (Pedro e João, 2025). Traduziu os romances Dezessete anos, de Colombe Schneck (Relicário, 2023) e Menina, da Camille Laurens (Paris de Histórias, 2026).

Alice Faria é coordenadora do Grupo Traduções da Associação Selvagem, tradutora e pesquisadora. Doutoranda em Literatura Comparada pela UFF, pesquisa a confluência entre literatura, tradução e cosmopoéticas indígenas.

Antoine de Mena é cineasta, artista, produtor e tradutor francês-espanhol residente no Rio de Janeiro. É tradutor ativo da frente Francês do Grupo Traduções Selvagem.

Leonardo Edileno Wera Tupã Macena, conhecido como Léo Wera, é indígena do povo Guarani Mbyá, nascido na reserva indígena do Ribeirão Silveira. Tradutor e intérprete Guarani, integrante da Escola Viva Guarani. Graduando em Licenciatura Intercultural pela UNIFESP Campus Baixada Santista.
Organizadores:
Escritório do Livro da Embaixada da França
Com o objetivo de promover a venda de direitos, a tradução e a distribuição de livros francófonos no Brasil, o Escritório do Livro mantém relações regulares com todos os atores da economia do livro os quais apoia através de diversos programas (Programas de Apoio à Publicação da Embaixada e do Institut Français, Prêmio de Tradução da Embaixada da França, etc.) e com quem organiza ações em parceria.
O Escritório do Livro também trabalha para promover e divulgar os autores francófonos no Brasil, facilitando a presença deles nos principais eventos literários do país.
Biblioteca Nacional
Com mais de 200 anos de história, a Biblioteca Nacional é a mais antiga instituição brasileira, anterior mesmo à constituição do Brasil como nação independente.
A Biblioteca Nacional (BN) tem a missão de coletar, registrar, salvaguardar e dar acesso à produção intelectual brasileira. A BN mantém parcerias e ações de cooperação com instituições diversas para troca de conhecimento, promoção de pesquisa e de boas práticas de organização, gestão, conservação, preservação e valorização do acervo, definindo projetos comuns que fortaleçam, nos âmbitos nacional e internacional, a missão e o papel da instituição.
Parceiros:
Goethe-Institut Rio
Enquanto instituto cultural da República Federal da Alemanha, o Goethe-Institut Rio promove o intercâmbio cultural, a formação e os debates sobre a sociedade no contexto internacional, e apoia o ensino e a aprendizagem da língua alemã. Em colaboração com parceiras e parceiros, reflete sobre as oportunidades e os desafios globais, reunindo diferentes perspectivas num diálogo que se baseia na confiança. Encara o ato de escutar e refletir como uma chave para o entendimento. Compromete-se com os princípios da transparência, da diversidade e da sustentabilidade.
Associação Selvagem
Selvagem é uma organização não governamental que envolve um ciclo de estudos sobre a vida, o movimento indígena das Escolas Vivas e uma rede colaborativa voltada a aprendizagens e traduções entre mundos. Desde 2018, se dedica a estudar, compartilhar, registrar e apoiar saberes indígenas, compondo diálogos entre ciências e artes. Tudo que Selvagem cria é disponibilizado gratuitamente. Os estudos se desdobram em cadernos, audiovisuais, oficinas, conversas e exposições. As suas ações se direcionam para apoiar as Escolas Vivas, centros indígenas de transmissão de conhecimentos tradicionais, garantindo o repasse de 10 mil reais mensais a cada escola e criando ações em conjunto. Todo esse movimento contribui para outros caminhos de educação, imaginando posturas regenerativas e não destrutivas de estar no mundo. Através dessas ações, articula uma constelação composta por uma diversidade de vozes e territórios, cultivando a continuidade e o aprofundamento nas relações. Selvagem conta, ainda, com livros da Dantes Editora para aprofundar algumas temáticas.
Companhia GONDWANA / Laboratório de Poéticas Contemporâneas de Língua Francesa (LAPOFRAN) da UFRJ
Esse evento também conta com a parceria da companhia de teatro Gondwana, com a presença do diretor Yure Romão, bem como das estudantes de literatura francesa e tradutoras do LAPOFRAN (Laboratório de Poéticas Francófonas) da UFRJ.
Serviço:
Cerimônia de premiação do V Prêmio de Tradução da Embaixada da França no Brasil
28/08/2026, 9h30-13h, seguido por un coquetel/brunch
Fundação Biblioteca Nacional – Rua México, s/n° / Auditório Machado de Assis
A cerimônia será transmitida ao vivo no canal youtube da BiblioMaison: Escritório do Livro & BiblioMaison – YouTube





























































