A corrida pelo desenvolvimento dos chamados carros voadores ganhou um novo capítulo no Reino Unido. A Vertical Aerospace inaugurou uma nova unidade de montagem dedicada ao Valo, seu avião elétrico de decolagem e pouso vertical, conhecido pela sigla eVTOL.
A empresa britânica é uma das concorrentes da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer que também trabalha no desenvolvimento de uma aeronave elétrica para mobilidade aérea urbana.
Localizada no Aeroporto de Cotswold, em Gloucestershire, a nova instalação terá inicialmente uma função estratégica: produzir as aeronaves que serão utilizadas no processo de certificação do Valo e, posteriormente, os primeiros exemplares destinados aos clientes.
Nova fábrica ocupa antigo hangar da Força Aérea britânica
Para colocar a unidade em funcionamento, a Vertical Aerospace investiu cerca de £ 1,5 milhão, aproximadamente US$ 2 milhões, na reforma de um antigo hangar construído durante a Segunda Guerra Mundial.
O espaço possui aproximadamente 5.600 metros quadrados e já teve ligação com os Red Arrows, equipe de demonstração aérea da Royal Air Force.
Com a nova estrutura, a área ocupada pela Vertical Aerospace no Aeroporto de Cotswold chega a aproximadamente 12 mil metros quadrados, considerando também o centro de testes de voo que já funcionava no local.
A empresa já utiliza a infraestrutura para realizar ensaios com os protótipos do programa. Durante a inauguração, um VX4 demonstrou diferentes etapas do voo, incluindo decolagem vertical, transição para o voo sustentado pelas asas, retorno ao voo pairado e pouso vertical.
Valo poderá transportar até seis pessoas
O Valo representa uma evolução do programa desenvolvido pela Vertical Aerospace a partir do VX4. Embora mantenha características fundamentais do projeto anterior, a nova aeronave recebeu alterações importantes na fuselagem, cabine e sistemas.
O eVTOL foi projetado para transportar até seis ocupantes e alcançar velocidade de cruzeiro de aproximadamente 241 km/h.
A autonomia estimada chega a 161 quilômetros, característica que coloca o modelo inicialmente como uma alternativa para deslocamentos de curta distância.
Entre as aplicações previstas estão ligações entre aeroportos, deslocamentos urbanos e outras operações de transporte regional.
Produção das aeronaves de certificação começa em 2027
A Vertical Aerospace pretende iniciar a montagem do primeiro Valo construído de acordo com os requisitos de certificação no quarto trimestre de 2027.
Depois da montagem, as aeronaves deverão entrar em uma extensa campanha de testes de voo, prevista para começar em 2028.
A companhia trabalha atualmente com a expectativa de obter a certificação de tipo em 2029.
O planejamento inclui sete aeronaves destinadas especificamente ao processo de certificação. Cinco serão utilizadas em testes de voo, enquanto outras duas serão empregadas em avaliações estruturais realizadas em solo.
Antes disso, a empresa pretende transformar um dos protótipos existentes em um demonstrador de propulsão híbrida-elétrica. Os testes dessa configuração estão previstos para começar no primeiro semestre de 2027 e deverão servir para avaliar uma alternativa de maior alcance.
Mini-fábrica poderá produzir mais de 25 aeronaves por ano
Apesar de ser considerada uma instalação inicial, a nova unidade foi projetada para atingir uma capacidade de produção superior a 25 aeronaves Valo por ano.
A ideia é que o próprio Aeroporto de Cotswold seja responsável pela montagem das primeiras unidades comerciais destinadas aos clientes, evitando uma transferência imediata da produção para outra instalação.
A estratégia, entretanto, prevê uma futura fábrica dedicada à produção em maior escala.
A Vertical Aerospace pretende anunciar em 2026 o local dessa unidade industrial, que será necessária caso o programa avance para uma etapa de produção massiva.
No longo prazo, a companhia estabeleceu a meta de alcançar uma capacidade superior a 900 aeronaves por ano até 2035.
Vertical também amplia produção de baterias
O investimento não está limitado à montagem das aeronaves.
A empresa também está expandindo suas instalações relacionadas às baterias em Avonmouth, nas proximidades de Bristol.
Uma ampliação de aproximadamente 2.800 metros quadrados no Vertical Energy Centre deverá aumentar significativamente a capacidade de produção de baterias conforme o programa Valo avance em direção à certificação.
A estratégia demonstra que a Vertical Aerospace busca desenvolver internamente diferentes etapas necessárias para colocar o eVTOL em operação comercial.
Embraer também avança com seu carro voador
A movimentação da Vertical ocorre enquanto a Eve Air Mobility, empresa controlada pela Embraer, avança no desenvolvimento de seu próprio eVTOL.
O projeto brasileiro também está em processo de certificação e prevê a fabricação das aeronaves em Taubaté, no interior de São Paulo.
A Eve trabalha atualmente com uma capacidade industrial planejada de até 480 aeronaves por ano quando a produção em série estiver plenamente estabelecida.
A empresa pretende iniciar as operações comerciais de seu eVTOL até o final de 2028, embora o cronograma ainda dependa do avanço do processo de certificação.
Com Vertical Aerospace, Eve e outras empresas disputando espaço nesse novo mercado, a indústria aeronáutica começa a estruturar uma nova categoria de transporte elétrico.
Disputa pelo futuro da mobilidade aérea
A abertura da unidade britânica representa mais um passo na tentativa de transformar os eVTOLs em uma modalidade comercial de transporte.
Os projetos ainda dependem de certificações, testes de voo, infraestrutura específica e regulamentação para passageiros, mas os investimentos realizados pelas fabricantes mostram que o setor está avançando para uma fase mais industrial.
Para a Vertical Aerospace, a nova unidade permitirá aproximar o Valo da etapa de certificação e, posteriormente, da produção comercial.
Já para empresas como a Eve, o avanço de concorrentes internacionais aumenta a importância de acelerar os próprios programas de testes, certificação e industrialização.
A próxima etapa dessa disputa será definida nos próximos anos, quando os primeiros eVTOLs certificados começarem a disputar efetivamente operações comerciais de passageiros.





























































